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A história do peão que laçou um Paulistinha em pleno voo

Embora pareça uma daquelas histórias impossíveis, contadas em porta de hangar, um peão de fazenda conseguiu laçar um avião Paulistinha que fazia voos a baixa altura no interior do Rio Grande do Sul, em janeiro de 1952.

A façanha aconteceu nas proximidades da cidade de Santa Maria (RS). Euclides Guterres, que tinha 24 anos na época, conseguiu laçar o monomotor pilotado por Irineu Noal, enquanto o aviador fazia voos rasantes nas terras onde o peão trabalhava.

Nesta semana, o Jornal Zero Hora reproduziu a matéria que foi publicada na revista “O Cruzeiro,” nos anos 1950. Confira o texto publicado no Jornal:

O gaúcho que laçou um avião há 65 anos

Peão laçou um pequeno avião que dava rasantes numa fazenda em Santa Maria

A reconstituição da história montada pelo repórter fotográfico Ed Kefell

Quando cuidava de uma novilha doente, Euclides notou que um pequeno avião dava rasantes sobre as coxilhas, aproximando-se cada vez mais de onde estava. O peão, achando que aquilo era brincadeira ou algum tipo de provocação, não teve dúvidas: armou o laço de 13 braças e quatro tentos e o atirou em direção ao Paulistinha, acertando o alvo.

Por estar preso na cincha do arreio sobre o cavalo, o laço, com o impacto, arrebentou na presilha e seguiu pendurado no avião. O piloto, assustado, tratou de pousar na pista da cidade de Santa Maria. Longe do hangar, retirou o laço e o escondeu no meio das macegas. No dia seguinte, um instrutor notou que a hélice do aparelho estava rachada. Pressionado, o piloto confessou o acontecido.

O presidente do aeroclube procurou o jornalista Cláudio Candiota (1922-2012), diretor do Jornal A Razão, e contou a história, mas pediu para não divulgá-la, “para não causar prejuízo à imagem do estabelecimento sob sua responsabilidade”.

O jornalista comentou: “Deixa comigo. Vou tornar este aeroclube famoso em todo o mundo”. Não só deu a notícia no seu jornal como no Diário de Notícias, de Porto Alegre, e telefonou para a revista O Cruzeiro.

Esta, na mesma semana, mandou seu melhor fotógrafo, o gaúcho Ed Keffel, a Santa Maria, onde reconstituiu o episódio e o estampou em cinco páginas, amplamente ilustradas.

Com circulação de mais de 700 mil exemplares, a reportagem de Cláudio Candiota repercutiu na imprensa mundial.

A notícia saiu até na Time americana. “Eu não fiz por maldade. Foi pura brincadeira. Para falar a verdade, não acreditava que pudesse pegar o aviãozinho pelas guampas num tiro de laço”, confessou Euclides Guterres.

Fonte: Jornal Zero Hora (adaptado) 

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