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Por que não é possível voar com a família em algumas aeronaves do Aeroclube?

Quem frequenta aeroclubes já deve ter se deparado com uma situação comum: o desejo de comprar uma hora de voo para levar amigos e familiares para um panorâmico pela região.

No entanto, é frequente que tal voo seja difícil de ser realizado em algumas escolas. Os motivos são vários e vão desde o famoso “o presidente não quer que voem no ‘avião dele’” até uma razão bastante sensata: o tipo  de seguro contratado para as aeronaves da escola.

Muitos daqueles que passam os finais de semana no Aeroclube desconhecem as exigências legais feitas pelo governo para a aeronavegabilidade dos equipamentos.

No Brasil, toda a aeronave deve possuir cobertura do Seguro de Responsabilidade do Explorador e Transportador Aeronáutico (R.E.T.A.).

Contudo, normalmente os Aeroclubes contratam o seguro RETA para dois assentos: o do instrutor e do o aluno (ou 1 tripulante e 1 passageiro).

Algumas instituições fazem o seguro de todos os assentos apenas para algumas aeronaves, já prevendo o panorâmico.

E ainda, existem diferenças no que diz respeito ao tipo de utilização com que a aeronave foi registrada, como por exemplo PRI (Instrução).

Assim, para que o sócio ou o aluno possa levar a família num “voozinho” de final de semana, o aeroclube deverá proceder à devida homologação do aparelho.

O Clube Aero Boero procurou uma corretora de seguros para entender os custos que incidem sobre o Aeroclube na contratação do RETA.

Tiago Longuini, da Patrimon Seguros, nos ajudou nesta tarefa. Tiago apontou que o seguro obrigatório para um Aero Boero custa aproximadamente R$ 900,00 em algumas regiões do Brasil.

Entretanto, Longuini esclarece que, por se tratar de um equipamento de instrução, de propriedade do governo federal, é possível trabalhar com valores abaixo dos R$ 750,00 no caso específico do seguro para o Aero Boero.

Na visão da Patrimon Seguros, segundo Longuini, é importante ter a sensibilidade para compreender que os Aeroclubes são instituições sem fins lucrativos, que prestam um serviço de utilidade pública, e ainda, muitas vezes passam por dificuldades para manter os equipamentos aeronáuticos em condições de voo.

Tiago acredita que “tentar facilitar a vida de Aeroclubes sérios, que realizam um trabalho profissional no Brasil, é dever de todos envolvidos com o meio aeronáutico.”

Da próxima vez que a secretaria negar seu pedido para levar a mãe, a namorada ou os amigos para conhecer a cidade a bordo do Tupi ou do “Cessninha” 172 do Aeroclube, você já sabe que o problema pode ser bem mais complexo do que a simples vontade do presidente da instituição.

Texto: Leonardo Dutra / Imagens: Diego Difante.

 

 

Saiba um pouco mais sobre o assunto

A obrigatoriedade do seguro RETA foi instituída pela Lei n° 7.565, de 1986.

As transportadoras aéreas, de linhas ou táxis aéreos, estão obrigadas a contratar as coberturas 1, 2, 3, 4 e 5.

Já os aviões não comerciais são obrigados a adquirir as coberturas 1, 2, 3 e 4, sendo ainda facultativo a contratação da classe 1 (passageiros).

Conheça as 5 classes do RETA:
Classe 1 – danos a passageiros (e, adicionalmente, bagagens);
Classe 2 – Danos a tripulantes (e, adicionalmente, bagagens );
Classe 3 – Danos a pessoas e bens no solo;
Classe 4 – Danos por colisão ou abalroamento;
Classe 5 – Cargas e Bagagens despachadas (Obrigatório no TPX)

A cobertura RETA garante o reembolso de toda e qualquer indenização por danos corporais e/ou materiais causados pela aeronave sinistrada que o segurado venha a ser judicialmente obrigado a pagar, respeitados os limites de indenização estipulados no contrato de seguro.

1 Comment Write a comment

  1. Faltou o principal…
    Abaixo seguem alguns trechos extraídos do RBAC 61:
    “…Os voos de instrução previstos neste Regulamento devem ter como única finalidade a instrução do piloto, não sendo permitido o transporte de passageiros ou cargas, ou a realização de outros serviços aéreos durante a instrução…”

    “…Quando realizado em aeronave, o voo de instrução deve ter como única finalidade a instrução, não sendo permitido o transporte de passageiros e/ou cargas ou outros serviços aéreos durante o voo…”

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