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Dia 3

Por Leonardo Dutra.

Neste terceiro dia de viagem voltamos para os céus do interior de São Paulo. Após um dia inteiro em Penápolis em virtude da meteorologia, o tempo abriu e permitiu a nossa decolagem às 12:50 (horário local) rumo a cidade de Catanduva.

Mantendo 4000 ft (pés) de altitude conseguimos aproveitar um voo bastante calmo, sem nenhuma turbulência. Passamos pela vertical do Rio Tietê mais uma vez, não tendo como deixar de registrar o belo contraponto entre céu e água que a região oferece para todos aqueles que tem a oportunidade de voar nas proximidades deste belíssimo curso d’agua.

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Dois motivos nos levavam até a cidade de Catanduva, no interior de São Paulo. Primeiro, precisávamos abastecer nosso valente PP-GNA, e em segundo lugar, estávamos ansiosos em conhecer o treinamento de pilotos desenvolvido pelo Aeroclube de Catanduva.

Uma hora de viagem pelo ar separou a cidade de Penápolis de Catanduva, município onde fomos muito bem recebidos pelo pessoal do Aeroclube local, bem como, tivemos a oportunidade de conhecer o “Seu Manolo,” uma personalidade da aviação brasileira que trabalha na escola de voo de Catanduva desde 1960.

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Izoldino Correa da Costa, o “Seu Manolo,” é um daqueles indivíduos que construiu a aviação civil do país. Sentado em sua mesa na recepção do Aeroclube de Catanduva, contou-nos que naquele mesmo lugar onde conversávamos teve a oportunidade de conhecer Jânio Quadros, João Goulart, entre outras tantas personalidades históricas que passaram por aquele aeródromo.

No entanto, entre outras figuras importantes, “Seu Manolo” garante que “simples mesmo era o Comandante Rolim.” Manolo fazia referência à Rolim Adolfo Amaro, fundador da companhia aérea TAM, e um dos aviadores que aprenderam a voar no Aeroclube de Catanduva.

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Aproveitamos cada detalhe das histórias contadas pelo veterano da aviação, ouvindo contos do ano de 1954, quando “Seu Manolo” era responsável por acender os lampiões de querosene que faziam o balizamento noturno da pista do município. Em uma carroça puxada por cavalos, Manolo era uma das pessoas que garantia que 5 voos diários de uma mesma companhia aérea ligassem Catanduva ao resto do Brasil em meados de 1950.

Mais histórias, curiosidades e detalhes do Aeroclube de Catanduva serão publicados aqui no Clube Aero Boero no dia 16 de setembro, em um artigo específico sobre esta emblemática escola de aviação paulista.

De Catanduva pegamos a proa 080° para Bebedouro, em uma “curta perna” da nossa viagem para conhecer um dos centros de voo à vela mais respeitados do país: o Aeroclube de Bebedouro.

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Dois pilotos nos esperavam na instituição. Pedro Ret e Arthur Dianin, pilotos do AB-180, deram as boas-vindas para a nossa expedição.

Pedro Ret gentilmente mostrou para o nosso projeto as diversas atividades e equipamentos que hoje fazem parte do Aeroclube de Bebedouro, enquanto Arthur Dianin explicou as nuances do voo do Aero Boero 180 na operação de reboque de planadores.

Em uma atividade distinta da operação dos AB-115, voados por muitos pilotos brasileiros em suas primeiras horas na aviação, Dianin aclarou detalhes da atividade do piloto rebocador.

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Curiosamente, em alguns reboques, como no caso do planador quero-quero, o AB-180 sobe puxando o planador para até 2000 ft (pés) AGL (acima do solo) com 15° de flap acionado, mantendo uma velocidade de aproximadamente 65 mph. Depois da subida, aos 2000 ft AGL, é o momento em que o piloto do planador se solta do AB-180 iniciando seu voo à vela, enquanto o Aero Boero inicia um voo descendente para a direita e o rebocado inicia seu planeio para esquerda.

Nosso parceiro nessa expedição, Otávio Neto, que também é rebocador de planadores, aproveitou a oportunidade para explicar alguns sinais de emergência que garantem a operação entre rebocadores e rebocados.

Segundo Otávio, uma coordenação de primeiro tipo por parte do rebocador (inclinação sistemática das asas da aeronave para a esquerda e para direita, coordenando ailerons e leme, sem efetuar nenhuma curva) indica que é o momento do planador se soltar do rebocador, ou ainda, aponta alguma pane no avião que puxa o rebocado.

Igualmente, uma coordenação de primeiro tipo por parte do planador, desde que comandado com o spoiler aberto (peças móveis posicionadas sobre as asas), indica uma pane no planador.

Este primeiro dia no Aeroclube de Bebedouro terminou com o registro de uma aeronave AB-115 fora das operações de voo, hoje estacionada no pátio da instituição. Trata-se do PP-GIZ, de propriedade de povo brasileiro, que aguarda uma oportunidade para voltar aos céus do país.

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A fascinante atividade de voar sem motor será abordada em profundidade em um artigo sobre o Aeroclube de Bebedouro que será publicado aqui no Clube Aero Boero em 23 de setembro.

Foram incríveis as visitas à Catanduva e à Bebedouro, recheando de histórias esta primeira edição da Expedição Aeroclubes do Brasil.

Confira algumas fotos deste terceiro dia de Expedição:

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1 Comment Write a comment

  1. Gostei muito do aqui contado onde foi protagonista o AERO BOERO no Brasil, naturalmente, parabenizo os pilotos desse queridos aviões que tanto fizeram por nós, apaixonados por aviação. Quem assina esta singela mensagem de agradecimento, não conseguiu se “brevetar”, mas até hoje sente “dor” no braço esquerdo ao flapear o Aero Boero da Escola de Aviação do Campo de Marte a década de 90.
    Um nivelado abraço a todos que fizeram esse SITE, e parabéns aos pilotos que voaram pelos ares desse “POST” maravilhoso.

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