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Dia 4

Por Leonardo Dutra.

Com céu aberto em SDBB (aeródromo de Bebedouro – SP), partimos de um dos maiores centros de voo à vela do Brasil tendo como destino a cidade de Franca.

Acionamos às 9h15 do horário local da cidade e enfrentamos um forte vento de proa (parte da frente da aeronave) que conseguiu segurar um pouco nosso AB-180, mantendo a aeronave entre 90 e 100 mph aos 045 (4500 pés) neste primeiro trajeto do quarto dia da Expedição.

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Com um pouco de dificuldade para coordenar o voo com o Controle Academia (controle de tráfego aéreo prestado pela Academia da Força Aérea na região), pousamos em Franca (SP) para conhecer as atividades do Aeroclube da cidade.

Fomos muito bem recebidos por um dos instrutores teóricos da escola, o piloto Jenner Júnior, e por outra colaboradora da instituição, Tatiane Ventura.

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O Aeroclube de Franca, fundado em 1939, conta com uma frota de 4 aeronaves em operação, merecendo destaque o excelente estado de conservação de um avião Paulistinha CAP-4, produzido em 1949, que até hoje ensina futuros pilotos a voar na cidade de Franca.

Nas proximidades do hangar principal da instituição encontramos mais uma das aeronaves de propriedade do governo federal em avançado estado de deterioração.

Embora os colaboradores da instituição não soubessem informar a matrícula da aeronave, é possível que o avião abandonado seja o AB-115 de matrícula PP-GDG.

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Pouco depois das 11h locais de Franca partimos rumo a uma das cidades vizinhas buscando conhecer as atividades do Aeroclube de Batatais, distante apenas 20 nm (milhas náuticas) do aeródromo de Franca.

Em um voo muito curto, rapidamente tivemos a oportunidade de sobrevoar a pista de terra do Aeroclube da cidade, aproximando para pouso na uno dois (cabeceira 12) de Batatais.

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Infelizmente encontramos o Aeroclube da cidade fechado, situação que nos obrigou a decolar para a última instituição programada para receber a nossa visita neste quarto dia de expedição.

As condições arenosas da pista de Batatais sugeriram uma decolagem curta com nosso AB-180.  E assim, com freios acionados comandamos toda a potência, rapidamente erguemos a calda da aeronave e rodamos (tiramos a aeronaves do chão) com pouco mais de 55 mph com flaps acionados, mantendo um breve voo rasante sobre a pista até atingirmos uma velocidade segura para iniciar a subida.

Ribeirão Preto, distante apenas 19 nm de Batatais foi nosso rumo já ao meio dia desta sexta-feira. Pousamos na três meia de SBRP (cabeceira 36 do aeródromo de Ribeirão Preto), deslocando nosso AB-180 para o pátio da escola de voo da cidade.

Após a chegada, fomos calorosamente recebidos pelo presidente do Aeroclube, Paulo Madeira, e por dois outros pilotos que fazem parte do quadro de colaboradores da instituição: Almir Oliveira e Henrique Bianco.

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A tradicional escola paulista surpreende pela visão de mercado exposta pelo seu presidente. Segundo o dirigente, é objetivo da instituição terceirizar partes da instrução aeronáutica da cidade com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino prestado pelo Aeroclube.

Madeira explicou que os cursos teóricos da instituição já são ministrados por uma empresa terceirizada, alguns investidores disponibilizam aeronaves para o treinamento prático do Aeroclube, e o próximo passo será atrair investimento privado para a instrução em simuladores em Ribeirão Preto.

Igualmente, merece destaque o bom estado de conservação de três aeronaves Aero Boero, fora das operações de voo, que, contudo, permanecem prontas para o recondicionamento e retorno para os céus da região.

Segundo Madeira, o aeroclube passou por dificuldades financeiras recentes que impendem que tais aeronaves sejam prontamente recondicionadas. No entanto, tratando-se de um patrimônio do povo brasileiro, o Aeroclube de Ribeirão Preto faz questão de manter tais equipamentos em ótimo estado para, quando possível, voltarem aos céus do país.

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Esta sexta-feira, dia 2 de setembro, foi mais um dia inesquecível para aqueles de gostam de voar e que apreciam a aviação de treinamento do país.

Abastecemos novamente o AB-180 em Ribeirão Preto, deixando a Expedição pronta para trazer nosso avião para casa: o Aeroclube de Itápolis.

Mais detalhes sobre o Aeroclube de Franca e o Aeroclube de Ribeirão Preto serão publicados em matérias individuais para cada instituição aqui no Clube Aero Boero nos dias 30 de setembro e 7 de outubro, respectivamente.

Confira algumas imagens do quarto dia de viagem:

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4 Comments Write a comment

  1. Parabéns. Bela iniciativa, texto bem redigido, imagens top e um ideal nobre !!!

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  2. Olá! Boa tarde!!
    Não sei se chegou ao vosso conhecimento mas no Aeroclube de Rio Claro – Sp temos o recém restaurado ab-115 PP-FLF, que voltou aos céus essa semana (na segunda feira dia 29/08 se não me engano). Há também mais 2 ab-180 em operação se não estou enganado… Se quiserem maiores informações, por favor entrem em contato com o Aeroclube de Rio Claro. Sou estudante de PP de lá.

    Valeu!

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  3. Bom dia, meu nome é Luís Gabriel Bassi, sou o atual vice presidente do Aeroclube de Franca e já tive a oportunidade de ser presidente por dois mandatos em 2008/2009 e 2010/2011 nos anos seguintes diretor de instrução e agora vice, no dia que vcs estavam no aeroclube, cheguei no Citation M2 e logo em seguida decolamos novamente e não tive a oportunidade de conversar com vocês e contar algumas histórias do Aeroclube de Franca, a história do nosso Aeroboero acidentado o PP GDG que tiraram fotos, aquela aeronave sofreu acidente em 2000 devido a uma tempestade de vento com poeira que atingiu atingiu região repentinamente obrigando o inva na ocasião a voltar para a pista, mais não conseguiu chegar antes da tempestade e as fortes rajadas de vento o fizeram perder o controle e a aeronave colidiu com um muro de uma casa na lanteral da pista, o aluno sofreu uma fratura no pé e tornozelo e o inva apenas escoriações. Graças a Deus poucos ferimentos nos tripulantes e os maiores danos no avião mesmo.
    Dessa aeronave foram tirados o motor e os instrumentos do painel para equipar o PP GRM que está em plena atividade até hoje e foi uma luta pra conseguir montar esse avião naquela época e colocá-lo pra voar novamente, a fuselagem abandonada em Maricá as asas em Campinas, enfim, custamos montá-lo devido a perca total do GDG. Gostaria de parabenizar a iniciativa e agradecer por incluir o Aeroclube de Franca em seu roteiro e fico a disposição para qualquer dúvida ou questionamento sobre o Aeroclube. Abraços e bons voos!

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    • Muito obrigado pela mensagem e pelas informações.
      Nas próximas semanas estaremos publicando um artigo sobre sua instituição. De tal forma, seria muito interessante contar esta e outras historias sobre o AC de Franca. Aguardamos mais informações pelo contato deixado para os colaboradores do aeroclube durante nossa visita.
      Há uma motivação principal para esta viagem, que é dar voz e publicidade para a instituições do interior do Brasil. Em última análise, tornando melhor a realidade da instrução aeronáutica no país.
      Obrigado!
      Abraço,
      Leonardo Dutra

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