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Quanto custa para restaurar um Aero Boero?

Recentemente, fiquei surpreso com o valor de mercado de uma aeronave Aero Boero na Argentina.

Um AB-115, fabricado nos anos 1980, custa 60 mil dólares (quase R$ 200 mil) no país vizinho. Você pode conferir algumas aeronaves Aero Boero à venda clicando aqui.

Como apresentado aqui no Clube AB em artigos anteriores, quase 250 aviões Aero Boero, de propriedade do povo brasileiro, estão parados no Brasil.

Muitas aeronaves já não existem mais devido à acidentes ou outras razões. No entanto, mais de uma centena de aviões seguem encostados no fundo de hangares do todo o Brasil, esperando que alguém tenha condições (e vontade) de voar neste monomotor convencional.

Diante de tantas aeronaves precisando de reparo, o Clube AB orçou os custos para a restauração de um Aero Boero. Ajudou-nos neste trabalho Bruno Carvalho, gerente da EJ Manutenção de Aeronaves, localizada em Itápolis – SP.

Segundo a oficina da EJ, o valor para a restauração de um Aero Boero vai variar com o estado de cada avião, contudo, é possível estimar que o reparo de um AB-115 fique em torno dos R$ 120 mil.

No entanto, diante das dificuldades econômicas do país, cada vez mais aviões Aero Boero ficam sem condições de voar em todo o Brasil.

Pois, nem todos os Aeroclubes contam com R$ 100 mil para o restauro dos AB. Também, com frequência, algumas instituições preferem utilizar recursos para manter outros aviões da frota, como o C-152 ao invés de aeronaves convencionais como o Boero.

Entretanto, com criatividade, talvez seja possível captar recursos para colocar alguns equipamentos novamente no ar.

Uma ideia para o aproveitamento de algumas destas aeronaves históricas, de propriedade do governo federal, seria a restauração desses aviões para execução de projetos culturais.

A frota de aviões do povo brasileiro que está parada é composta por aeronaves Piper Cub, CAP-4 e AB-115, entre outros. Quase todos os pilotos brasileiros, especialmente aqueles que já passaram um pouco dos 30 anos, aprenderam a voar em um desses três aviões.

São aeronaves que fizeram parte da história da instrução aeronáutica do Brasil. As experiências que tivemos nestes aviões compõem o patrimônio imaterial da aviação brasileira.

Logo, é possível que a tentativa de manter viva a memória destes treinadores seja passível de apoio de alguns mecanismos de financiamento para projetos culturais.

Nos Estados Unidos, por exemplo, existe um grande número de associações de pilotos e entusiastas que se dedicam a conservar os chamados “museus vivos” ou as instituições que promovem a “história viva”.

São museus onde as aeronaves históricas não estão em exposição estática, e assim, voam em espetáculos para registrar a história da aviação para o público em geral, para ensinar ciência para jovens, ou para despertar vocações em crianças, entre outros objetivos.

Entre outras instituições a “Força Aérea Comemorativa” é um grupo organizado de amantes de aviação que atua em exposições de “história viva” em diversas regiões dos Estados Unidos (conheça a instituição neste link).

Ferramentas para adaptar alguns dos trabalhos da “Força Aérea Comemorativa” à realidade brasileira talvez existam.

O Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), do Ministério da Cultura, pode ser um instrumento para buscar financiamento para atividades culturais que ajudem a colocar nossas aeronaves novamente em condições de voo.

O programa funciona da seguinte forma: Pessoas Físicas ou Jurídicas apresentam um projeto cultural para o Ministério da Cultura. Se aprovado, o projeto pode captar até 4% do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e 6% das Pessoas Físicas para financiar a atividade cultural.

Ou seja, em tese, seria possível utilizar parte do dinheiro dos impostos para financiar atividades culturais que poderiam ser importantes para salvaguardar o patrimônio material e imaterial da aviação brasileira.

Saiba mais sobre o PRONAC neste link.

Neste momento, o Clube Aero Boero aguarda aprovação de um projeto do PRONAC para captar recursos que possibilitem dar continuidade à Expedição Aeroclubes do Brasil em 2017, bem como, produzir um livro que registra as aventuras desta Expedição.

Quando aprovado, Pessoas Físicas e Jurídicas poderão optar por alocar parte do Imposto de Renda no projeto. Em outras palavras, indivíduos e empresas podem financiar a Expedição Aeroclubes sem gastar nada além do que já pagariam em impostos.

Com criatividade, será que o PRONAC pode ser utilizado para financiar outras atividades culturais que resultem no envolvimento de mais pessoas com os Aeroclubes do Brasil?

Fica aqui o desafio.

 

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3 Comments Write a comment

  1. Primeiramente parabéns pela qualidade do artigo, pela iniciativa de seu projeto e pelo entusiasmo!
    Uma idéia seria vender cotas de prazo determinado para voo, seria o seguinte: algum aeroclube em boa gestão ou escola de voo, receberia a aeronave a ser restaurada (por comodato, cessão ou doação) e venderia cotas para quem quiser voar a aeronave (alunos, pilotos desportistas, pilotos que querem acumular horas, …) com um prazo máximo e máximo de horas (2 anos e 100 horas, por exemplo), nesse período ele voaria a custo. Após esse prazo a escola teria mais um prazo para explorar (isso sería o que iria gerar interesse) e depois devolveria para a origem ou passaria a pagar um arrendamento… Supondo um boero que a restauração esteja orçada em R$ 100 mil, venderia 20 cotas de R$ 5 mil para voar até 100 horas em dois anos a custo (instrutor, , combustível, rateio de TBO, manutenção, seguros,…), vatagem para quem compar seria o custo final das horas (talvez abaixo de R$ 250/hora). A escola entraria com hagaragem, gestão e ainda poderia comprar horar dos cotistas para revender. Pra escola uma aeronave a mais, porém sem custo de aquisição. Ej, Pará de Minas, Itapolis, Goiás, seriam boas opções para por isso em prática.

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    • Obrigado pelo comentário.
      Parece-me ser uma ótima ideia Davi.
      No futuro, vou pensar em escrever algo abordando este tema, para dar mais visibilidade para a sua proposta.

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      • Infelizmente, nossa legislação não permite que as aeronaves de instrução, pertencentes à união, sejam utilizadas para qualquer outro fim que não seja instrução! Não podem ser utilizadas por exemplo, para recreio dos associados do aeroclube, voos panorâmicos ou qualquer outra modalidade que não seja o objeto fim.

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